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Como eu trabalho

Isto vale em qualquer entrevista que eu vá fazer: no evento, no show, no teatro ou no estúdio. Está escrito aqui para quem quiser conferir.

Antes de chegar perto

Eu não entro numa entrevista sem ter lido o jornal da manhã. Na televisão, a pauta do dia começava com os jornais abertos em cima da mesa: a gente lia, marcava com caneta o que ia virar pergunta, e só então estava preparado para entrevistar. Até hoje é assim.

Jornal não basta. Revista especializada, telejornal, e hoje o YouTube, onde boa parte da coisa acontece. Estar informado é ferramenta de trabalho, e ferramenta a gente afia todo dia.

O nome, escrito certo

Esta é a que mais se erra no mercado, e é a primeira coisa que eu confiro: o nome da pessoa vai para o crédito exatamente como ela escreve. E o cargo, exatamente como ela quer que apareça.

Errar o nome de quem deu a entrevista é a primeira falta de respeito, e ela fica gravada.

A bíblia na mão

No linguajar da redação, a bíblia do jornalista é o livro de contatos. A agenda. É a coisa mais importante que um jornalista pode ter na mão.

É dela que sai a fonte que confirma a informação, e é dela que sai o convite ao convidado que vai ao programa.

Agenda ninguém empresta. Ganha-se uma pessoa de cada vez, ao longo de anos, e só se mantém tratando bem quem está nela.

Depois que a luz apaga

Artista volta a dar entrevista para quem o tratou bem da primeira vez. Em quarenta e dois anos de jornalismo, foi isso que trouxe a segunda conversa, e a terceira.

A equipe

Quem está fazendo merece o crédito. A produção, o câmera, o iluminador, o editor, a direção, o motorista. É trabalho de equipe, e o respeito anda nos dois sentidos: é o que eu dou e é o que eu recebo, em carinho e em educação.

Programa nenhum vai ao ar por causa de uma pessoa só.

Ler o protocolo inteiro

Saber quem está na minha frente

O que a pessoa faz, o que ela deixou de fazer, sobre o que ela gosta de falar, o que ela está fazendo agora. Eu chego atualizado no entrevistado, e ele percebe logo nos primeiros minutos se a gente chegou preparado ou não.

Em pé, no meio do evento

Boa parte do meu trabalho é entrevista em pé. No evento não existe tempo de sentar: a pessoa está passando, tem gente em volta, e a conversa acontece ali mesmo. O estúdio é outro jogo, e eu faço os dois.

Em pé há menos tempo, menos silêncio para trabalhar e nenhuma mesa entre as duas pessoas. O que em estúdio é simpatia, ali vira técnica.

A chegada

Eu chego de bom humor, com sorriso, com tranquilidade, e com uma lista do que eu preciso saber. Quem está à vontade deixa o outro à vontade, e essa é a parte do trabalho que eu levo a sério.

A hora da pergunta

Existe o momento de fazer a pergunta, e ele não é o primeiro minuto. Pessoa descontraída fala mais, e fala melhor. Pessoa desarmada conta o que não estava no roteiro.

De onde isso vem

Isso não se aprende em estúdio. A gente aprende em família, dentro do nosso próprio lar, com o nosso pai e a nossa mãe. É de lá que sai o que a gente leva para o trabalho, e o resto é dom que Deus deu.

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